Jane Eyre, Charlotte Brontë


18/12/2018
Aline Nascimento

Um clássico que explora questões de sexualidade, religião, gênero e classe. Jane Eyre conheceu o sofrimento ainda pequena, na casa da tia que a criou e na austera Lowood Institution onde foi educada. Desde cedo mostrou sua natureza firme e independente e assim ela se manteve por toda a vida: ao abandonar os tormentos de Lowood e se empregar como governanta em Thornfield Hall; ao descobrir o amor mas, com ele, um terrível segredo; ao decidir partir e, depois, recomeçar. 

Essa resenha faz parte do projeto #1001livrosDP



Trecho da apresentação encontrada na edição da Editora Zahar realizada por Antonia Pellegrino.
Você tem em mãos um clássico. E isso pode soar chato. Mas em pouco capítulos você estará largando o celular para almoçar com Jane. Ela será sua companhia no banheiro. Terá lugar cativo na sua bolsa ou mochila. E vai fazer você ir embora mais cedo dos lugares para encontrá-la.
A inteligência precoce, o coração pulsante e a firmeza fazem Jane renegar as qualidades femininas da época e não aceitar sujeitar-se a um destino estreito e repleto de humilhações. Não se assuste, mas isso faz dela uma feminista. Quase setenta anos depois do início dos debates por igualdade de gênero na Inglaterra e na França, Jane/Charlotte ainda estão completamente à frente de seu tempo.

Nesse clássico da literatura inglesa acompanhamos em detalhes a vida da pequena Jane Eyre, nesse romance de formação Jane ainda criança torna-se órfã, assim é levada aos cuidados familiares de seu tios, seu tio a quem Jane poderia sempre recorrer está infermo e acaba morrendo, porém antes de morrer ele solicita que sua esposa cuide de Jane assim como cuidará dos seus filhos; claro que isso não acontece Jane sofre muito na mãos de seus primos, tia e até dos criados. Como uma forma de se 
livrar tia Reed coloca Jane em Lowwod uma instituição de ensino para meninas, nesse mesmo lugar Jane não é poupada do sofrimento mas também é nesse lugar que Jane irá descobrindo sua força e suas vontades, depois de alguns anos nessa instituição ela então torna-se professora, e diante da mesmice Jane descobre-se com um espiríto independente, ela tem sonhos e desejos. Dessa forma ela se tornará educadora de Adele protegida do Sr. Edward Rochester seu senhor por quem Jane acabará se apaixonando. Edward Rochester não é um príncipe encantado, ele é um homem duro, arrogante e machista afinal o contexto da época tornavam os homens assim, porém com o desenrolar da história a "vida" irá lhe ensinar o que realmente tem valor.

Isso tudo que contei no paragráfo acima não é um terço da história desse livro incrível, escrito na época vitoriana assim como muitas histórias daquela época ele traz uma trama gótica em certos momentos, Charlotte abrange muitos assuntos pertinentes à época; em Jane Eyre encontramos críticas sociais e morais, questões de gênero, religião entre outros. Jane Eyre é uma mulher muito à frente do seu tempo, do começo ao fim ela busca seu espaço, sua autonomia, sua independência isso em pleno século XIX que as mulheres eram tão submissas e dependentes.

Em nenhum momento é utilizado o termo "feminismo" durante essa narrativa, afinal o termo não era conhecido em 1847 quando Jane Eyre foi publicado, mas as atitudes, as conversas e as reflexões de Jane deixam claro sua posição perante aquela sociedade que repremiam tão fortemente suas mulheres.

Além de todas mensagens importantes que Jane Eyre nos propõem, ainda sim ele também apresenta uma trama admirável, cheia de reviravoltas e acontecimentos. Jane Eyre foi aclamado por críticos desde seu lançamento e até hoje recebe seus devido reconhecimento. Com certeza é um livro que você deve ler em algum momento da sua vida. E assim ele entra para minha lista de favoritos da vida.
Leia Jane Eyre.
 Das mulheres se espera que sejam muito calmas, de modo geral. Mas as mulheres sentem como os homens. Necessitam exercício para suas faculdades e espaço para os seus esforços, assim como seus irmãos; sofrem com uma restrição rígida demais, com uma estagnação absoluta demais, exatamente como sofreriam os homens. E é uma estreiteza de visão por parte de seus companheiros mais provilegiados dizer que elas deveriam se confinar a preparar pudim e tricotar meias, a tocar piano e bordar bolsas. É insensato condená-las ou rir delas se buscam fazer mais ou aorender mais do que o costume determinou necessário ao seu sexo.
Observações sobre autora/livro:

Charlotte Brontë nasceu em Thornton, dia 21 de Abril de 1816 e faleceu em Haworth dia 31 de Março de 1855 aos 38 anos; foi uma escritora e poetisa inglesa, a mais velha das três irmãs Brontë que chegaram à idade adulta e cujos romances são dos mais conhecidos da literatura inglesa. 
Jane Eyre publicado em 1847 é o romance mais conhecido de Charlotte Brontë. Com toques góticos e boas doses de crítica social e moral, este clássico da literatura pôs-se à frente de seu tempo ao apresentar uma personagem forte e explorar questões de sexualidade, religião, gênero e classe. Acompanhamos o desenvolvimento emocional da protagonista, sua busca por respeito, espaço e autonomia financeira, num mundo que não esperava tais ambições vindas de uma mulher. E, nas palavras de Virginia Woolf, "no fim estamos completamente encharcados pela genialidade, a veemência, a indignação de Charlotte Brontë". Essa edição belissíma da editora Zahar conta com a tradução da escritora Adriana Lisboa e apresentação da roteirista Antonia Pellegrino, traz ainda mais de 240 notas, ilustrações de época e cronologia. E, como anexos, textos para as primeiras edições do livro assinados por "Currer Bell", pseudônimo da autora. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo. Classificação: 5/5

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6 comentários:

  1. Esse livro parece ser mesmo incrivel, vi uma outra resenha dele, e também foi marcado como "favorito da vida" rsrs preciso conhecer essa história.
    Parabéns.

    Aceita Café?

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  2. Oie Aline =)

    Ah!! Eu só leio resenhas lindas desse livro! Infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler, mas está na minha lista.

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

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  3. Oi, Aline

    Esse ano eu assisti a adaptação e amei a história, então imagino que vou adorar ler a obra que deu origem ao filme, já que assim terei uma imersão bem mais profunda na história. Ano que vem lerei com certeza!

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  4. Oi Aline!
    Esse é meu livro preferido e Jane pra mim é a melhor mulher da literatura! Gosto muito dos livros escritos na Era Vitoriana, sobretudo os romances de formação do período. Acompanhar toda a trajetória da protagonista é angustiante às vezes, ficamos enojados com as situações as quais ela é submetida, mas por outro lado é uma narrativa tão fluida e tão interessante que nos prende completamente!
    Amo,amo, amo! :)
    Beijos!

    Mais Uma Página

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  5. Olá Aline, tudo bem?

    Esse livro está na minha lista de desejados, tenho uma curiosidade grande em relação a esse história e cada resenha que leio ela só aumenta, parabéns pela resenha...bjs.


    https://devoradordeletras.blogspot.com

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  6. Já assisti ao filme e quando descobri que tinha o livro, já coloquei na minha lista de desejados. Não vejo a hora de poder ler, essa edição está divina.
    Beijos
    https://recolhendopalavras.blogspot.com

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