Quinze dias, Vítor Martins


01/11/2018
Thiago rodrigo

Felipe está esperando por esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Os planos envolvem se afundar nos episódios atrasados de suas séries favoritas, colocar a leitura em dia e aprender com tutoriais no YouTube coisas novas que ele nunca vai colocar em prática. 
Mas as coisas fogem um pouco do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando. Felipe entra em desespero porque a) Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e existe uma grande possibilidade dessa paixão não ter passado até hoje) e b) Felipe coleciona uma lista infinita de inseguranças e não tem a menor ideia de como interagir com o vizinho. 
Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.

"Não se apaixone por uma pessoa que não faça você se sentir lindo"
Esta resenha será sobre um livro que é muito importante para mim. Já o li duas vezes e sempre vou querer reler, pois a escrita do Vítor é tão leve, gostosa e sensível que sério, vocês precisam conhecer essa história.

Temos aqui um protagonista que sofre bullying na escola afinal ele não está nos padrões da sociedade. 

Gordinho, Cheinho, fofinho, Pudim: É assim que Felipe é chamado na escola. O livro começa com o último dia antes das férias e para ele é o melhor dia da sua vida, pois esses últimos anos no ensino médio foi um inferno. Então, ele quer aproveitar esses dias para ver suas séries preferidas, ler seus livros, assistir filmes e ficar longe desse inferno, mas algo inesperado acontece e vai mudar totalmente a sua vida.

Quando era criança Felipe tinha uma amizade com o vizinho do 57, teu nome era Caio e ele sempre teve um amor platônico por ele. Hoje, Caio se tornou um garoto muito bonito, porém ambos não se falam mais. De vez em quando, os dois se esbarram no elevador, mas nunca trocaram nenhuma palavra com o outro, passaram-se anos e anos e ainda ele guarda esse sentimento que nunca foi revelado. Mas adivinha quem passara 15 dias na sua casa como hospede? Quem? Isso mesmo próprio Caio, o vizinho do 57.

Os pais de Caio vão passar uma temporada no Chile e eles pedem para a mãe do Felipe se ela o deixa passar 15 dias na sua casa e é claro que a sua mãe aceita a ideia na hora. Imagina o desespero do Felipe quando descobre isso? E assim acompanhamos esses 15 dias com a chegada do Caio em sua casa.

No começo, o Felipe se sente inseguro e com medo, pois isso não estava nos seus planos. Ambos não se falavam e cada um ficava no seu mundinho. Caio sempre lia um livro “O senhor dos anéis” onde Felipe já leu e isso foi a partida para que eles tivesse um assunto para conversar. Com o passar dos dias, ambos viam que tinham muitas coisas em comuns e aquela insegurança que o Felipe tinha vai sumindo aos poucos.

Felipe tem consultas com uma terapeuta, e ela passa uma tarefa para ele, que será conversar com o Caio durante o dia, pois ele só conseguia de noite e no escuro, pois assim, o Caio não precisaria olhar para o seu corpo. Felipe acabou aceitando o desafio, e a partir dai, descobrimos o quanto o Caio é um menino dócil, sensível e que também tem os seus problemas interiores. 

Em uma conversa Caio revela para Felipe que é gay e que sofre preconceito familiar, pois sua mãe abomina pessoas homossexuais, afinal Caio sentiu na casa de Felipe algo que sempre teve desejo em sentir, que é ser aceito pela sua família.

A mãe de Felipe é uma mulher que coloca a felicidade de seu filho como prioridade, então ela o apoia e isso é tão bonito de se ver. Esse apoio que infelizmente muitos não têm foi uma das coisas mais bonitas do livro.
- Você não deveria ter vergonha de ser quem você é. Respiro fundo para não responder “É muito fácil falar quando você é magro, Caio”, mas não digo isso porque sei que ele está se esforçando para me ajudar.
A amizade deles acaba se fortalecendo e Felipe aos poucos vai se soltando e perdendo sua insegurança e essa amizade irá tornando-se amor. Caio e Felipe se completam e quando Felipe se dá conta disso vemos o amadurecimento'. 

5 motivos para ler “QUINZE DIAS” 

  • Vitor Martins tem uma narrativa super fluída e gostosa que o faz querer ler sem parar. 
  • Os personagens secundários são incríveis: Sua mãe, Beca e Melissa (Melhores amigas do Caio), sua avó que deixa algumas mensagens subliminares através de biscoitos da sorte (você vai me entender quando ler), e o Dudu, uma criança que também sofre bullying na escola por ser gordinho e o Felipe se torna seu “SUPER HEROI”. Gente, é lindo essa parte. Se preparem para fortes emoções. 
  • O livro tem bastantes referências Geek: Livros como senhor dos anéis, O mágico de Oz e tive uma experiência incrível, pois o livro que li anteriormente foi o mágico de Oz e foi maravilhoso quando falou sobre o leão, que teve um papel super importante para o Felipe ter coragem e dizer o que sentia pelo Caio, historias em quadrinhos, filmes musicais entre outros.
  • Abordam assuntos fortes como Gordofobia e homofobia, mas de um jeito leve e sensível que só o Vitor sabe escrever. 
  • Uma narrativa que vai te fazer sorrir, é impossível não sentir carinho por esses personagens que o Vitor criou. 
“Gente babaca vai existir para sempre, mas a gente aprende a resistir. E isso é o mais importante. Não abaixar a cabeça e lutar pelo que você acredita. Lutar pelo direito de poder casar com quem você ama, pelo direito de ter seu corpo respeitado independente de como ele é ou do que você esta vestindo. Lutar pelo direito de andar na rua sem ser atacada pela cor da sua pele”.
Se você quer ler um livro leve, sensível, divertido, e com personagens cativantes que com certeza vão te conquistar logo nas primeiras páginas, leia Quinze dias do Vitor Martins.

E nunca se esqueça: O mundo inteiro é seu. 

Observações sobre o autor(a)/livro:

Vitor Martins nasceu em Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, e atualmente mora em São Paulo. Formado em jornalismo pela Universidade Cândido Mendes, trabalha como ilustrador editorial em projetos didáticos e publicou seu primeiro romance “Quinze dias” em junho de 2017, pela Globo Alt.
Acredita que a diversidade na literatura jovem é uma arma poderosa, e seu principal objetivo como escritor é contar a história de pessoas que nunca conseguiram se enxergar em um livro. Tem um canal no YouTube onde fala sobre literatura, cultura pop, tranqueiras de papelaria, ilustração e o que mais der vontade.
Redes sociais do autor:
Twitter: @vitormrtns
Instagram: @vitormrtns
Youtube: /VitorMartinsTV

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1 comentários:

  1. Olá, Thiago.
    Essa é a primeira resenha que leio desse livro. Não conhecia ele ainda na verdade e gostei dele abordar a homofobia e a gordofobia. Essa ultima principalmente porque existe desde sempre e nunca vejo sendo abordado nos livros.

    Prefácio

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