O Sol na cabeça, Geovani Martins


07/10/2018
Aline Nascimento

Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI.
Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais.
Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.

Livro recebido de cortesia da Editora Companhia das Letras

O sol na cabeça é o livro de estreia do autor Geovani Martins, composto por treze contos (Rolézim, Espiral, Rleta-russa, O caso da borboleta, A história do Periquito e do Macaco, Primeiro dia, O rabisco, A viagem, Estaçaõ Padre Miguel, O cego, O mistério da vila, Sextou e Travessia.) Geovani utiliza da ficção para nos apresentar/mostrar a realidade urbana de crianças, adolescentes e adultos, dentro das comunidades brasileiras.

Cada conto possui seu linguajar próprio, específico para seu contexto. Em alguns contos a liguagem é composta gírias e palavrões em outros não, temos cenários críticos socioeconomicamente, temos cenários com um poder aquisitivo melhor. É um livro rico em liguagens.

O sol na cabeça antes de ser lançado no seu próprio país já tinha sido vendido para 8 países, também já teve os direitos vendidos para o cinema; não existe dúvida do burburinho positivo que O sol na cabeça alcançou no mundo literário; nos tempos de hoje dificilmente um autor brasileiro com menos de 30 anos lançando um livro de contos alcancará as proezas que Geovani já alcançou.

Por ser um livros de contos é nítido minhas preferências por algumas histórias, é um livro curto de leitura simples e rápida, caso ainda não tenha lido, vale a pena conhecer essas histórias e além de tudo a escrita de Geovani Martins.

Observações sobre o autor(a)/livro:

Geovani Martins nasceu em 1991, no bairro de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Trabalhou como "homem-placa", atendente de lanchonete, garçom em bufê infantil e barraca de praia. Em 2013 e 2015, participou das oficinas da Festa Literária das Periferias, a Flup. Publicou alguns de deus contos na revista Setor X e foi convidado duas vezes para a programação paralela da Flip. O sol na cabeça foi publicado pela Editora Companhia das Letras em 2018 com 122 páginas. Classificação: 4/5 

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