O vilarejo, Raphael Montes


04/12/2016
Aline Nascimento

Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.

As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

A escrita de Raphael Montes lembra o trabalho de um bom cirurgião: bastante precisa, repleta de sangue e com todos os pontos bem costurados ao final. Uma viz que traz o frecor necessário ao terror nacional - Raphael Draccon
Além de autor da obra Raphael Montes é um personagem dessa história, em 2014 Raphael recebe uma ligação de um amigo dono de um sebo no Rio de Janeiro, informando que encontrou três cadernos com textos escritos à mão em uma língua estrangeira desconhecida, quando Maurício (dono do sebo) entrou em contato com Ana bisneta de Elfrida Pimminstoffer dona dos cadernos que tinha falecido meses atrás, Ana foi muito dura com Maurício ameaçando até queimar os cadernos caso ele insistisse em tentar devolver, após relatar essa história Maurício pergunta se Raphael tem interesse em analisar o material, o mesmo aceita e procura ajuda para tentar traduzir os textos.

Sem ajuda Raphael terá que traduzir sozinho, ele descobre que a língua utilizada é o cimério, uma língua já morta. O texto é dividido em sete capítulos (contos) que foi titulado com o nome dos sete reis do inferno Asmodeus (luxúria), Belzebu (gula), Mammon (ganância), Belphegor (preguiça), Satan (ira), Leviathan (inveja) e Lúcifer (soberba). Cada conto traz de forma densa um dos pecados.

A partir desse momento somos levados para O Vilarejo, em cada conto somos transportado para a casa e vida de um personagem, o lugar está passando por várias dificuldades, ao redor está acontecendo uma guerra, chegou uma grande nevasca o que dificulta a sobrevivência de todos os habitantes. A principal dificuldade dos moradores é a alimentação item básico para sobrevivência. Raphael nos mostra de forma muito dura e cruel o que cada habitante é capaz de fazer. 

Minha experiência? Nunca tinha lido nada do gênero, nunca li Stephen King, nunca assistir filme de terror, não realmente eu não gosto, sou daquelas que tem pesadelos durante a noite inteira, mas queria sair da minha zona de conforto e ler algo do gênero e posso dizer que fui surpreendida, gostei bastante, não cheguei sentir medo, mas algumas sensações como aflição e nojo essas eu senti, fiquei encantada com a escrita do Raphael, ele já me surpreendeu desde o começo sendo um dos personagem da história, e a forma como ele constrói e faz a ligação entre os contos é muito bacana. Os contos são curtos e rápidos mas isso não quer dizer que são vazios ou incompletos. Quando o último conto é lido tudo é respondido e definido. Não posso deixar de falar da ilustrações do Marcelo Damm que fica altura de cada conto. 

Obsevarções sobre o autor/livro:

Raphael Montes nasceu em 1990 no Rio de Janeiro. Aos vinte anos impressionou crítica e público com Suicidas. Dias perfeitos seu romance foi publicado em 2014 teve os direitos de tradução vendidos para treze países. Ambos os livros tiveram os direitos vendidos para o cinema. Raphael assina uma coluna mensal no blog da Companhia das Letras e outra no jornal O Globo. Além disso escreve roteiros para o cinema e tv, como a série Espinosa (GNT), e o seriado de terror Supermax (Rede Globo). O Vilarejo foi publicado pela Suma de Letras (Objetiva) em 2015, com 96 páginas. Classificação: 5/5.

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