O peso do pássaro morto, Aline Bei #ProjetoPL


08/11/2018
Aline Nascimento

Livro vencedor do "Prêmio São Paulo de Literatura 2018" na categoria "Melhor Romance de Autor Estreante com Menos de 40 anos". A vida de uma mulher, dos 8 aos 52, desde as singelezas cotidianas até as tragédias que persistem, uma geração após a outra. Um livro denso e leve, violento e poético. É assim O peso do pássaro morto, romance de estreia de Aline Bei, onde acompanhamos uma mulher que, com todas as forças, tenta não coincidir apenas com a dor de que é feita.

Essa resenha faz parte do #ProjetoPL

Em um pouco mais de 150 páginas, em uma leitura fluída, vamos acompanhando esse romance de formação; nossa personagem principal não tem o nome revelado, conhecemos aos 8 anos, mostrando toda pureza e inocência que apenas essa idade é possível conservar, já nessa primeira fase nossa personagem terá que entender e lidar com a morte da sua melhor amiga.
quando ela volta, seu luís?
(ele tirou os óculos
de novo.
o olho de pedra
me assustou um pouco menos)
- ela não volta.
A cada fase da vida dessa personagem somos tragados por uma melancolia profunda. O peso do pássaro morto é um livro que fala sobre luto, acima de tudo sobre perda. Seja a perda pelo luto, seja a perda pelo afastamento de alguém, seja a perda de sentimentos, dos sonhos, da fé; em vários sentidos é um livro de decesso.
o ser humano, filho, matou um alce
e também a África.
também a
Amazônia. também o voto
cor de rosa, também o Rio.
quando um bebê nasce
é preciso contar devagar pra ele
sobre a terra,
o futuro
espera numa concha.
Aline Bei brinca com as palavras, utiliza a linguagem e a oralidade ao seu favor, cria sua própria estrutura; um romance em prosa escrito em formato de poesia. Aline Bei estreou na literatura mostrando a que veio, criando suas próprias características literária. Além da história, sua escrita tem vida própria é uma conversa a parte com leitor.
ser adulto por vezes não deixa a beleza das coisas
entrar tão facilmente,
a gente começar a
desconfiar.
Li esse livro devido ao #ProjetoPL e que grata surpresa, não é por acaso que O peso do pássaro morto ganhou no último dia 05 o Prêmio São Paulo de Literatura 2018, ele merece esse reconhecimento, a literatura nacional e contemporânea merece tê-lo. O peso do pássaro morto é um dos melhores livros que li em 2018 ou quem sabe o melhor livro desse ano. Espero que ele ainda voe muito mais alto.

Observações sobre autora/livro:

Aline Bei nasceu em São Paulo, em 1987. É formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia Helena. É editora e colunista do site cultural OitavaArte.

O peso do pássaro morto foi desenvolvido em 2016/2017 durante uma oficina literária conduzida por Marcelino Freire aonde ele e mais outro título ganhou o concurso da oficina sendo publicado em 2017 pela Editora Nós em coedição pela Edith.

Prêmio São Paulo de Literatura 
O peso do pássaro morto levou o Prêmio São Paulo de Literatura de 2018 na categoria melhor livro do ano de autor estreante com até 40 anos. A premiação teve início em 2008, atualmente seleciona os melhores livro de ficção, no gênero romance e escrito em língua portuguesa. São 3 categorias selecionadas: melhor livro do ano, melhor livro do ano de autor estreante com mais de 40 anos e melhor livro do ano de autor estreante com até 40 anos. Os vencedores recebem pelo prêmio um valor monetário. Reconhecido internacionalmente como um difusor credenciado da literatura brasileira contemporânea, o prêmio está consolidado como um dos mais importantes do país.

Um amor perdido, Alyson Richmang #ProjetoPL


05/11/2018
Aline Nascimento

Separados pela guerra, ligados pela memória: uma história envolvente e instigante no rastro da Segunda Guerra Mundial.
Na Praga do pré-guerra, Lenka, uma jovem estudante de arte, apaixona-se por Josef, um médico recém-formado. Eles vivem cheios de ideais e de sonhos para o futuro, mas também são judeus e muito ligados à família. Casam-se, mas, pouco tempo depois, como tantas outras famílias, são separados pela guerra. As escolhas impostas pelo destino os afastam, mas deixam marcas permanentes: o caos e as informações truncadas dos tempos de guerra os levam a crer que o outro morre.
Na América, Josef torna-se um obstetra bem-sucedido e constrói uma família, apesar de nunca esquecer a mulher que acredita ter morrido. No gueto de Terezín, Lenka sobrevive graças aos seus dotes artísticos e à memória de um marido que julgava nunca voltar a ver. Apesar de todas as provações e dos infortúnios, mantém a chama daquele primeiro amor acesa, guardada em seu coração.

Da glamorosa vida em Praga antes da ocupação aos horrores da Europa nazista, Um Amor Perdido explora o poder do primeiro amor, a resiliência do espírito humano e a eterna capacidade de recordar.

Essa resenha faz  parte do #ProjetoPL
Um amor perdido ganhou o prêmio Long Island Reads no ano de 2012.

Lenka e Josef uma história que tinha tudo para ser apenas um clichê romântico traz o peso do cenário do Holocausto.

Somos transportados para cidade de Praga anos antes da Segunda Guerra Mundial, assim conhecemos Lenka e sua família composta por seus pais e sua irmã mais nova. Também somos apresentados a Josef quem Lenka conheceria através de uma Veruska uma amiga com que cursava artes.

Aos 17 anos em 1936 Lenka foi aceita na Academia de Artes de Praga. Já Josef seguindo a carreira e desejo do pai estuda medicina. 

Eles se apaixonam e quando a guerra está prestes atingir Praga eles decidem se casar as pressas afinal seria mais fácil viajar como marido e mulher, assim que o casamento acontece Josef anuncia que não conseguiu passagens e documentos para todos os familiares de Lenka apenas para ela sua esposa. Contrariando todos inclusive seus pais Lenka não os abandona seus pais e promete que logo conseguirá encontrar Josef, e dessa forma os dois se separam.

Todos sabemos os estragos que o holocausto provocou nas pessoas, e assim começa o drama dessa família. Lenka é uma personagem incrível, forte, que realmente ama seus entes. A princípio eles são deportados para o campo de concentração em Terezín, cada qual tem suas obrigações, Lenka foi destinado ao departamento de Artes para criar cartões postais e outras pinturas que eram enviadas e vendidas pelo mundo fazendo com as pessoas acreditassem que os campos de concentrações era apenas um lugar seguro e destinados aos judeus, eles tentavam camuflar as verdadeiras barbaridades que aconteciam dentro desses lugares.

Josef sofre ao não conseguir entrar mais em contato com Lenka, é a mesma sofre por ter perdido Josef e por não conseguir manter seguros seus familiares. 

Um amor perdido é um livro com cenários reais e histórias reais (a autora utilizou histórias reais de diversas pessoas para criar esses personagens), Alyson Richaman fez um trabalho de pesquisa minucioso trazendo a emoção que aqueles lugares despertam. 

Um drama muito bem escrito e desenvolvido, que traz a profundidade que todos os livro que tem como cenário a Segunda Guerra Mundial deveria ter.

Um amor perdido foi um grata leitura que tive o prazer de realizar durante o ano de 2018. Um dos melhores livros desse ano.

Observações sobre livro/autor(a):

Prêmio Long Island Reads 
Um amor perdido ganhou o prêmio Long Island Reads no ano de 2012, essa premiação teve início no ano de 2002 tendo como objetivo reunir leitores dos condados de Nassau e Suffolk (EUA). O comitê organizador da premiação analisa títulos que tem uma conexão direta com Long Island; além disso o livro deve estar disponível em vários formatos facilitando o acesso aos leitores. O evento é patrocinado pelo Sistema de Bibliotecas de Nassau e pelas Bibliotecas Públicas do Condado de Suffolk.

Alyson Richman
Nasceu em 1972 nos Estados Unidos é autora best-seller internacional The Last Van Gogh. Seus romances já foram publicados em dezoito idiomas. Um Amor Perdido foi vencedor do prêmio Long Island Reads em 2012, eleito um dos melhores livros daquele ano e encontra-se em processo de adaptação para o cinema. Richman vive em Long Island com o marido e dois filhos.

Classificação: 5/5

Quinze dias, Vítor Martins


01/11/2018
Thiago rodrigo

Felipe está esperando por esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Os planos envolvem se afundar nos episódios atrasados de suas séries favoritas, colocar a leitura em dia e aprender com tutoriais no YouTube coisas novas que ele nunca vai colocar em prática. 
Mas as coisas fogem um pouco do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando. Felipe entra em desespero porque a) Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e existe uma grande possibilidade dessa paixão não ter passado até hoje) e b) Felipe coleciona uma lista infinita de inseguranças e não tem a menor ideia de como interagir com o vizinho. 
Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.

"Não se apaixone por uma pessoa que não faça você se sentir lindo"
Esta resenha será sobre um livro que é muito importante para mim. Já o li duas vezes e sempre vou querer reler, pois a escrita do Vítor é tão leve, gostosa e sensível que sério, vocês precisam conhecer essa história.

Temos aqui um protagonista que sofre bullying na escola afinal ele não está nos padrões da sociedade. 

Gordinho, Cheinho, fofinho, Pudim: É assim que Felipe é chamado na escola. O livro começa com o último dia antes das férias e para ele é o melhor dia da sua vida, pois esses últimos anos no ensino médio foi um inferno. Então, ele quer aproveitar esses dias para ver suas séries preferidas, ler seus livros, assistir filmes e ficar longe desse inferno, mas algo inesperado acontece e vai mudar totalmente a sua vida.

Quando era criança Felipe tinha uma amizade com o vizinho do 57, teu nome era Caio e ele sempre teve um amor platônico por ele. Hoje, Caio se tornou um garoto muito bonito, porém ambos não se falam mais. De vez em quando, os dois se esbarram no elevador, mas nunca trocaram nenhuma palavra com o outro, passaram-se anos e anos e ainda ele guarda esse sentimento que nunca foi revelado. Mas adivinha quem passara 15 dias na sua casa como hospede? Quem? Isso mesmo próprio Caio, o vizinho do 57.

Os pais de Caio vão passar uma temporada no Chile e eles pedem para a mãe do Felipe se ela o deixa passar 15 dias na sua casa e é claro que a sua mãe aceita a ideia na hora. Imagina o desespero do Felipe quando descobre isso? E assim acompanhamos esses 15 dias com a chegada do Caio em sua casa.

No começo, o Felipe se sente inseguro e com medo, pois isso não estava nos seus planos. Ambos não se falavam e cada um ficava no seu mundinho. Caio sempre lia um livro “O senhor dos anéis” onde Felipe já leu e isso foi a partida para que eles tivesse um assunto para conversar. Com o passar dos dias, ambos viam que tinham muitas coisas em comuns e aquela insegurança que o Felipe tinha vai sumindo aos poucos.

Felipe tem consultas com uma terapeuta, e ela passa uma tarefa para ele, que será conversar com o Caio durante o dia, pois ele só conseguia de noite e no escuro, pois assim, o Caio não precisaria olhar para o seu corpo. Felipe acabou aceitando o desafio, e a partir dai, descobrimos o quanto o Caio é um menino dócil, sensível e que também tem os seus problemas interiores. 

Em uma conversa Caio revela para Felipe que é gay e que sofre preconceito familiar, pois sua mãe abomina pessoas homossexuais, afinal Caio sentiu na casa de Felipe algo que sempre teve desejo em sentir, que é ser aceito pela sua família.

A mãe de Felipe é uma mulher que coloca a felicidade de seu filho como prioridade, então ela o apoia e isso é tão bonito de se ver. Esse apoio que infelizmente muitos não têm foi uma das coisas mais bonitas do livro.
- Você não deveria ter vergonha de ser quem você é. Respiro fundo para não responder “É muito fácil falar quando você é magro, Caio”, mas não digo isso porque sei que ele está se esforçando para me ajudar.
A amizade deles acaba se fortalecendo e Felipe aos poucos vai se soltando e perdendo sua insegurança e essa amizade irá tornando-se amor. Caio e Felipe se completam e quando Felipe se dá conta disso vemos o amadurecimento'. 

5 motivos para ler “QUINZE DIAS” 

  • Vitor Martins tem uma narrativa super fluída e gostosa que o faz querer ler sem parar. 
  • Os personagens secundários são incríveis: Sua mãe, Beca e Melissa (Melhores amigas do Caio), sua avó que deixa algumas mensagens subliminares através de biscoitos da sorte (você vai me entender quando ler), e o Dudu, uma criança que também sofre bullying na escola por ser gordinho e o Felipe se torna seu “SUPER HEROI”. Gente, é lindo essa parte. Se preparem para fortes emoções. 
  • O livro tem bastantes referências Geek: Livros como senhor dos anéis, O mágico de Oz e tive uma experiência incrível, pois o livro que li anteriormente foi o mágico de Oz e foi maravilhoso quando falou sobre o leão, que teve um papel super importante para o Felipe ter coragem e dizer o que sentia pelo Caio, historias em quadrinhos, filmes musicais entre outros.
  • Abordam assuntos fortes como Gordofobia e homofobia, mas de um jeito leve e sensível que só o Vitor sabe escrever. 
  • Uma narrativa que vai te fazer sorrir, é impossível não sentir carinho por esses personagens que o Vitor criou. 
“Gente babaca vai existir para sempre, mas a gente aprende a resistir. E isso é o mais importante. Não abaixar a cabeça e lutar pelo que você acredita. Lutar pelo direito de poder casar com quem você ama, pelo direito de ter seu corpo respeitado independente de como ele é ou do que você esta vestindo. Lutar pelo direito de andar na rua sem ser atacada pela cor da sua pele”.
Se você quer ler um livro leve, sensível, divertido, e com personagens cativantes que com certeza vão te conquistar logo nas primeiras páginas, leia Quinze dias do Vitor Martins.

E nunca se esqueça: O mundo inteiro é seu. 

Observações sobre o autor(a)/livro:

Vitor Martins nasceu em Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, e atualmente mora em São Paulo. Formado em jornalismo pela Universidade Cândido Mendes, trabalha como ilustrador editorial em projetos didáticos e publicou seu primeiro romance “Quinze dias” em junho de 2017, pela Globo Alt.
Acredita que a diversidade na literatura jovem é uma arma poderosa, e seu principal objetivo como escritor é contar a história de pessoas que nunca conseguiram se enxergar em um livro. Tem um canal no YouTube onde fala sobre literatura, cultura pop, tranqueiras de papelaria, ilustração e o que mais der vontade.
Redes sociais do autor:
Twitter: @vitormrtns
Instagram: @vitormrtns
Youtube: /VitorMartinsTV

Projeto 1001 livros para ler antes de morrer #1001livrosDP


30/10/2018
Aline Nascimento

Arte realizada por @kappa.designer

Bom dia corujas! 
Na última postagem falei do projeto #ProjetoPL e hoje falarei um pouquinho sobre o projeto #1001livrosDP esses são os dois projetos que vou dar andamento por aqui. 
Esse projeto 1001 livros para ler antes de morrer já é mais conhecido afinal algumas pessoas já são adeptas desse projeto. 
1001 livros para ler antes de morrer é um livro do editor geral Peter Boxall publicado pela editora Sextante esse livro reúne 1001 livros que ele e sua equipe acredita ser essenciais para literatura. Assim como o outro projeto esse é um projeto para vida sem data para finalizar afinal são 1001 livros; tenho certeza que nunca vou ler todos, mas meu objetivo será ler uma grande parte das obras indicadas nesse livro. Para localizar todas as postagens referentes esse projeto vou utilizar a #1001livrosDP
Mais uma vez espero que vocês curtam e me acompanhem nesse projeto.

Projeto premiações literárias #ProjetoPL


18/10/2018
Aline Nascimento

Arte realizada por @kappa.designer

Olá corujas!
Hoje oficialmente damos início ao novo projeto do Divagando Palavras nosso #ProjetoPL que consiste em ler, resenhar e comentar sobre livros que ganharam algum tipo de premiação seja brasileira ou não. 
Como exemplo vou trazer livros de autores ganhadores do prêmio Nobel, livros ganhadores do prêmio São Paulo de Literatura , Kindle, Pulitzer, Jabuti, Sesc e afins. Além das resenhas que já tenho o hábito de realizar também vou falar um pouquinho sobre o prêmio em si; quais são os critérios analisados, quais foram os concorrentes e outras curiosidades pertinentes. 
Essas postagens acontecerão aqui e no instagram (@divagandopalavras) sempre estarei mostrando os livros que vou ler nos stories, assim se alguém quiser me acompanhar fique à vontade. 
Também aceito dicas de livros que vocês querem vê por aqui, desde que ele tenha ganhado algum prêmio claro rs. 
Enfim os projetos que vou dar andamento a partir de agora será esse e o #1001livrosDP que explicarei melhor no próximo post. 
Espero que vocês gostem e aproveitem esses novos conteúdos que serão disponibilizados aqui. 💜
Obs.: Para achar qualquer postagem referente ao projeto procure pela #ProjetoPL

Dias de despedida, Jeff Zentner


15/10/2018
Thiago rodrigo

"Cadê vocês? Me respondam."

Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele. Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto. Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão?

Dias de despedidas do autor Jeff Zentner publicado pela editora Companhia das Letras pelo selo Seguinte é um Young Adult que fala sobre luto, superação e perda.

Carver Briggs tinha três melhores amigos: Mars, Eli e Blake. 
Juntos eles formavam os “Trupe do molho” eram inseparáveis. Carver não conseguia imaginar a sua vida sem seus melhores amigos, mas algo terrivelmente trágico acontece e muda totalmente a sua vida. Em uma tarde, os três amigos iam buscar Carver para passar uma tarde juntos, porém morreram em um acidente de carro; logo depois de Carver mandar uma mensagem de texto para Mars, seu amigo que estava dirigindo. 

Essa mensagem foi o real motivo do acidente?

Carver carrega essa culpa do que aconteceu e para piorar um juiz poderoso que é pai do seu amigo Mars almeja abrir uma investigação criminal contra ele, culpando de toda essa tragédia.

Dias de despedida é uma história sensível; enquanto lia me colocava no lugar de Carver. Sentia na pele o que ele estava passando e a culpa que ele carregava. 
Assim como ele fazia mil perguntas... E se ele não tivesse mandado a tal mensagem, eles estariam vivos? E se ele tivesse mandado a tal mensagem para Eli ou o Blake que não estavam dirigindo, eles estariam vivos?

Carver conta com o apoio da sua família, o que é fundamental, sua irmã o convence a fazer terapia, afinal ele começa ter crises de pânico.

A ex namorada de Eli, Jesmyn, se torna a sua única amiga na escola e ambos encontram apoio no outro. Mas com o tempo Carver alimenta sentimentos, pois ele está gostando da ex do melhor amigo que está morto e logo se vê em conflito.

A avó de Blake pede sua ajuda para organizar um dia de despedida para o neto que era tão querido e amado, e Carver não sabe se isso será capaz dele ficar em paz com a sua perda ou se ele entrará em colapso. Mas de qualquer forma ele resolve ajudá-la e é uma das partes mais bonitas do livro.

Os entes dos outros amigos ficam sabendo e também querem fazem um dia de despedida para Eli e o Mars. E assim acompanhamos essa agonia do Carver, pois cedo ou tarde será necessário dizer adeus e seguir em frente. 

Logo no começo fiquei preso e mergulhado nessa história, pois a narrativa do autor é sensível, leve e fácil. É impossível não sentir empatia com os personagens principais e ficar de luto com eles; porém conforme a leitura avançava o ritmo diminuia e ficava menos empolgado, mas foi uma leitura que valeu a pena.

O autor esteve presente na FLIPOP deste ano, onde ele falou um pouco sobre o livro e teve uma sessão de autógrafos. 

Dias de despedida é um livro triste, honesto e sensível que fala sobre amizade, luto e superação. Faz-nos refletir sobre como os pequenos momentos que passamos com as pessoas que amamos são o que realmente importa.

Observações sobre a autora/livro:

Jeff Zentner começou escrevendo músicas. Cantor e guitarrista, já gravou com Iggy Pop, Nick Cave e Debbie Harry. Passou a se interessar pela literatura jovem adulta depois de trabalhar como voluntário em acampamentos de rock no Tennessee. Morou no Brasil por dois anos, na região da Amazônia, e hoje vive em Nashville com a esposa e o filho. Dias de despedidas foi publicado no ano de 2017 pela Companhia das Letras no selo da Seguinte com umtotal de 392 páginas. Classificação: 3,5/5 

O Sol na cabeça, Geovani Martins


07/10/2018
Aline Nascimento

Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI.
Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais.
Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.

Livro recebido de cortesia da Editora Companhia das Letras

O sol na cabeça é o livro de estreia do autor Geovani Martins, composto por treze contos (Rolézim, Espiral, Rleta-russa, O caso da borboleta, A história do Periquito e do Macaco, Primeiro dia, O rabisco, A viagem, Estaçaõ Padre Miguel, O cego, O mistério da vila, Sextou e Travessia.) Geovani utiliza da ficção para nos apresentar/mostrar a realidade urbana de crianças, adolescentes e adultos, dentro das comunidades brasileiras.

Cada conto possui seu linguajar próprio, específico para seu contexto. Em alguns contos a liguagem é composta gírias e palavrões em outros não, temos cenários críticos socioeconomicamente, temos cenários com um poder aquisitivo melhor. É um livro rico em liguagens.

O sol na cabeça antes de ser lançado no seu próprio país já tinha sido vendido para 8 países, também já teve os direitos vendidos para o cinema; não existe dúvida do burburinho positivo que O sol na cabeça alcançou no mundo literário; nos tempos de hoje dificilmente um autor brasileiro com menos de 30 anos lançando um livro de contos alcancará as proezas que Geovani já alcançou.

Por ser um livros de contos é nítido minhas preferências por algumas histórias, é um livro curto de leitura simples e rápida, caso ainda não tenha lido, vale a pena conhecer essas histórias e além de tudo a escrita de Geovani Martins.

Observações sobre o autor(a)/livro:

Geovani Martins nasceu em 1991, no bairro de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Trabalhou como "homem-placa", atendente de lanchonete, garçom em bufê infantil e barraca de praia. Em 2013 e 2015, participou das oficinas da Festa Literária das Periferias, a Flup. Publicou alguns de deus contos na revista Setor X e foi convidado duas vezes para a programação paralela da Flip. O sol na cabeça foi publicado pela Editora Companhia das Letras em 2018 com 122 páginas. Classificação: 4/5